Choro, o mecanismo que o nosso corpo criou para nos proteger da angústia. São vários os motivos pela a qual choramos: dor, alegria, saudade, tristeza, etc. E não há palavra mais propícia para descrever esse último episódio de Sirens.
Desde o primeiro episódio de Sirens que Stuart é caracterizado como um personagem melancólico, antissocial e com uns traços de psicopata – mas sem a vontade de estrangular garotas com meia de nylon (palavras do próprio). Essas características surgiram em sua infância, com a conturbada relação com o pai. Depois que a madrasta conta pra ele sobre a morte do pai, ele tem a atitude mais coerente com sua personalidade: não derramar uma lágrima sequer, porque, afinal de contas, o pai dele era um total babaca com ele.
Se fosse outra pessoa, depois da notícia, estaria chorando horrores, mas para Stuart o pai tinha morrido faz tempo. Mas Stuart não é insensível, muito menos burro, e sabia que a única maneira de enterrar o pai de vez seria aceitando a “nova” morte do pai, e para isso teria que reviver os últimos momentos dele. O primeiro passo que Stuart toma é visitar a casa do pai, chegando lá ele descobre que tem um meio-irmão, o nome do moleque também é Stuart. Aqui vemos uma jogada muito inteligente dos roteiristas, o mini-Stuart é exatamente isso, uma versão mais nova do Stuart, porém bem mais adulta (para uma criança) e confiante. Na verdade o mini-Stuart é uma mistura do Stuart com o pai.
Os dois ficam amigos rápidos, e o Stuart chega a conclusão que o pai dele, ao repassar o nome Stuart para o irmão, tava tentando ser um pai totalmente diferente, na verdade tava tentando ser tudo aquilo que ele não foi para o Stuart. São esses momentos de conversa entre os dois irmãos que tornaram esse episódio tão marcante, foi muito legal ver como o mini-Stuart ajudou o Stuart a perceber a realidade que o próprio negava ver. Primeiro, o mais óbvio, a paixão dele por Maxine. Ele até foi onde ela se declarar, que pena que não saiu do jeito que ele esperava, pois ela depois da declaração, escolheu continuar com o bombeiro, mas isso provavelmente é temporário, pois tá na cara que ela gosta dele também. Outra coisa que o mini ajudou Stuart a perceber, que esse jeito dele ser, e de nunca chorar, nada mais é do que um proteção, uma barreira, que ele criou, e se ele quiser chorar novamente, ele precisa quebrar essa barreira. É tão engraçado esse momento, porque a gente tem a sensação de que Stuart sempre foi assim, é difícil perceber que os traumas do abandono, rejeição, problemas de intimidade foram mais do que suficiente para transformar o Stuart nesse personagem que ele é hoje.
Enquanto o Stuart lida com seus fantasmas interno, o Ashley fica preso em um relacionamento um tanto quanto vulnerável. Tudo bem você conhecer alguém no bar, depois levá-lo para casa e ir “pros finalmente”, mas o problema tá quando esse alguém não quer mais sair de sua casa, você praticamente casou com ele e não sabia. E foi exatamente isso que aconteceu com o Ashley, o cara não queria mais sair da casa dele. Conversando com o Ryan, o amigo policial de Maxine, o Ashley percebe que o cara que tá na casa dele tá se aproveitando de sua “vulnerabilidade”, e ele precisa dar um fim nesse relacionamento forçado. A maneira que ele expulsa o cara de casa foi bem legal, ele simplesmente fala que foi bom enquanto durou, mas que o cara precisa sair, que apesar dele parecer patético e solitário, as aparências enganam, e que na verdade ele é o cara que tem a vida menos “fudida” que ele conhece.
O Rachid também lida com o seu próprio drama nesse episódio, ele tava com medo de ser transferido e de perder os amigos que ele tanto se apegou. Esse foi o plot mais bobo do episódio, pois sabíamos que o Rachid não seria transferido e que ele continuaria ao lado dos amigos, caso contrário não teríamos uma segunda temporada (eu to confiante que terá esse segunda temporada). Mas apesar desse plot fraquinho, ele desempenhou um papel muito legal no episódio, ele foi um verdadeiro amigo pro Stuart, e o ajudou na hora que ele mais precisava.
Voltando para o Stuart, ele só iria no funeral do pai, caso conseguisse quebrar a barreira sentimental e pudesse chorar no funeral. E ele só consegue quebrar a barreira quando ele viu uma fita cassete que o pai o deixou. No vídeo mostrava ele e o pai enterrando a cachorra de Stuart, e nesse momento triste o pai vira pra ele e dá um beijo na cabeça do filho, foi nesse momento que o Stuart percebe que o pai não foi um completo idiota, ele tinha seu lado bom, e também foi nesse momento que eu chorei (rs, eu confesso isso). Agora ele tinha que ir para o funeral, mas quem disse que ele chegava nesse funeral? Tudo tava conspirando pra ele não chegar lá. Ele e o Ashley estavam dentro da ambulância tentando chegar no velório, mas eles pegaram um engarrafamento, até que o Rachid aparece em outra ambulância e leva os dois até o velório, chegando lá, a Maxine já o esperava com um terno. Infelizmente ele tinha chegado tarde demais, e o velório já tinha acabado, mas isso não o impediu de demonstrar toda a tristeza que tava sentindo, e em umas das cenas mais legais, Stuart sobe na ambulância e começa a tirar a roupa e a chorar, vivendo de sua maneira o luto pelo o pai.
E dessa maneira, Sirens fecha com chave de ouro uma temporada incrível e impecável, nos deixando com um gostinho de quero mais. Eu preciso fazer uma ressalva aqui: se você quer um seriado pra rir e pra se emocional, Sirens é perfeito pra você, na verdade ele vai muito além disso. Não tem como você ver essa série e não se apegar com ela, os personagens e suas histórias nos ensinam lições de vida. Que pena que só tivemos seis episódios, mas tudo que é bom dura pouco, não é verdade? Mas os seis episódios e os 45 minutos de cada, valeram cada segundo, agora só nos resta esperar por uma segunda temporada. Até mais pessoal.


às 10:18 -
Postado Por: Dani Rodrigues - 
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